
A raça Nelore tem papel importante na história e no desenvolvimento da pecuária de corte no oeste paulista. Em Presidente Prudente e região, a adaptação ao clima quente, a resistência a parasitas e a capacidade de produzir a pasto contribuíram para consolidar a raça entre as principais escolhas dos produtores rurais.
A expansão da pecuária esteve ligada às transformações na atividade agropecuária regional. Com a redução de algumas culturas agrícolas tradicionais, como o algodão, o café e o amendoim, áreas passaram a ser destinadas à formação de pastagens e à criação de bovinos. Atualmente, a cana-de-açúcar, a batata-doce, o eucalipto e outras culturas também disputam espaço com a atividade pecuária.
Segundo o Fernando Carvalho, médico veterinário, as características do Nelore favorecem a criação em diferentes regiões do país, especialmente em sistemas de produção baseados em pastagens.
“O ponto mais forte dele, como já falei, é produzir gado a pasto. A produção a pasto no Brasil é a forma mais econômica, viável e sustentável. Se você tem um bom manejo de pasto, não existe raça melhor do que a Nelore”, afirma.
Além da resistência às altas temperaturas e aos parasitas internos e externos, a raça apresenta potencial para ganho de peso e diversidade genética, características importantes para o melhoramento dos rebanhos. Ao longo dos anos, também houve avanços na seleção de animais com maior precocidade, ampliando as possibilidades de produção.
Tradição na criação
A presença do Nelore na região também está ligada à trajetória de famílias que investiram na criação e na seleção genética dos animais. O produtor rural Fábio Buchalla conta que seu pai, Farhan Buchalla, iniciou a criação da raça em Presidente Prudente e esteve entre os pioneiros dessa atividade na região.

Segundo Fábio, a escolha se deu pela confiança na rusticidade do Nelore e na capacidade de adaptação às condições climáticas locais. Ele destaca que a atividade ganhou força mesmo antes da expansão das pastagens de braquiária, quando as gramíneas utilizadas exigiam maior qualidade do solo.
Presidente Prudente chegou a reunir criadores reconhecidos nacionalmente, especialmente nas décadas de 1980 e 1990. Naquele período, propriedades da região comercializavam reprodutores destinados ao melhoramento genético de rebanhos de diferentes partes do Brasil.
Para o produtor, apesar das mudanças no uso da terra, a região continua tendo participação importante na pecuária e na produção de genética bovina, agora com maior presença de tecnologia nos sistemas de criação.
Desafios da atividade
Apesar da tradição, a valorização das terras representa um dos principais desafios para a pecuária regional. Com a concorrência de outras culturas agrícolas, o custo de manter áreas destinadas exclusivamente à criação de bovinos exige planejamento e eficiência produtiva.
Fernando Carvalho explica que propriedades que conseguem realizar o ciclo completo da produção, podem ter mais oportunidades de aproveitar economicamente o potencial dos animais. Já os sistemas concentrados apenas na cria dependem da comercialização de bezerros e ficam mais sujeitos às instabilidades do mercado.
Nesse cenário, o manejo adequado das pastagens, o investimento em genética e o planejamento da propriedade são fatores importantes para manter a competitividade da atividade.
Mesmo com as mudanças no perfil agrícola do oeste paulista, o Nelore segue associado à identidade pecuária da região. A combinação entre adaptação ao ambiente, tradição de criação e aprimoramento genético mantém a raça relevante para a produção de carne bovina e para a economia rural regional.