
Quem vive e produz no oeste paulista sabe que é normal temperaturas na casa dos 30ºC durante praticamente o ano todo, mas em 2026 a situação deve piorar. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o Super El Niño começou oficialmente no mês de junho e deve ter o seu ápice entre setembro e outubro.
Na região, os impactos do fenômeno começaram a ser sentidos em agosto. A tendência é que nas próximas duas semanas comece a chover de maneira regular, algo que não acontece há três anos. Segundo o agrometeorologista Alexandrius de Moraes, o Super El Niño será bom para Prudente e região.
“Nos últimos anos, setembro foi seco, a tendência é que esse ano a gente tenha chuvas durante o mês de setembro”, afirma.
Apesar da expectativa de mais chuva, o período também deve ser marcado por temperaturas mais elevadas. Segundo Alexandrius, a previsão indica que as temperaturas devem permanecer acima da média, acompanhando um cenário de precipitações mais frequentes na região.
O que o produtor rural pode esperar?
A matéria-prima básica de todo cultivo é a água e desde a safra 2022/2023 o oeste paulista sofre com longos períodos de estiagem. A falta de chuva fez com que muitos produtores mudassem de ramo ou de cultura.
Algo que impacta diretamente no preço dos produtos. A permissionária do Ceagesp de Presidente Prudente, Dirce Sugano, relata que os preços de diversos produtos subiram exponencialmente nos últimos seis meses. Destaque para o limão e a laranja, frutas cítricas que dependeram única e exclusivamente da irrigação na última safra.
Para 2026, mais precisamente a safra 2026/2027, a expectativa é de melhora na produtividade, devido ao aumento das chuvas.
“Essa tendência climática pode ser favorável, já que a gente vem de anos complicados para a agricultura […] se confirmado, esse cenário de chuvas acima da normalidade, deve favorecer culturas como a cana de açúcar, soja, amendoim, milho, batata doce, algodão que foram um pouco prejudicadas nos últimos anos”, pontua o agrometeorologista.
Favorecimento esse que colabora com toda a cadeia, do produtor ao consumidor final. Com as lavouras produzindo mais e em melhor qualidade, o produto fica mais barato para o distribuidor e, consequentemente, para quem compra dos mercados, feiras e sacolões.
Mas, afinal, o que é o super El Niño?
O El Niño é uma das fases do fenômeno climático El Niño-Oscilação Sul (Enos) e ocorre quando as águas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial apresentam temperaturas, em média, 0,5°C acima do padrão de normalidade. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode provocar mudanças nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do mundo.
De maneira geral, no Brasil, o El Niño tende a provocar aumento das chuvas na Região Sul e redução das precipitações nas regiões Norte e Centro-Oeste. São Paulo está localizado entre essas áreas e, por esse motivo, seus efeitos podem variar conforme a atuação de outros fatores climáticos. Para 2026, no entanto, estudos da Estação Meteorológica da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) indicam uma tendência de que o estado apresente padrões mais próximos aos observados na Região Sul, com maior influência no padrão de chuvas.
Apesar da expectativa positiva, o comportamento do clima depende da atuação de outros fatores atmosféricos. Por isso, o acompanhamento das previsões meteorológicas ao longo dos próximos meses será fundamental para produtores e para toda a cadeia do agronegócio do oeste paulista.