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Bovinos são conhecidos por terem quatro estômagos; entenda como funciona a digestão

A anatomia dos bovinos permite que o animal aproveite alimentos ricos em fibras, como as pastagens – Foto: Dablio Jordani

Os bovinos possuem um sistema digestivo diferente do encontrado nos seres humanos. Conhecidos popularmente por terem quatro estômagos, esses animais contam, na verdade, com quatro compartimentos que trabalham de forma integrada na digestão, sendo eles: rúmen, retículo, omaso e abomaso. A estrutura permite que o gado processe alimentos ricos em fibras e aproveite os nutrientes presentes em pastagens e outros vegetais. 

Essa característica está relacionada ao fato de que o bovino é um animal ruminante e poligástrico, ou seja, ele possui um sistema digestivo especializado, responsável por fazer o alimento voltar à boca para ser mastigado novamente e um estômago dividido diversos compartimentos para digerir plantas mais duras. 

Enquanto o rúmen, omaso e retículo são considerados pré-estômagos, participando principalmente da fermentação e do processamento do alimento, o abomaso é considerado o estômago verdadeiro, responsável pela digestão química do animal. 


Divisão do estômago dos ruminantes – Imagem gerada por Inteligência Artificial

“Esses quatro compõem o que é similar ao nosso estômago único. No entanto, o que corresponde ao nosso estômago é somente o abomaso”, explica o zootecnista Marco Aurélio Factori.

Um sistema dividido em quatro compartimentos

Para que o alimento seja completamente aproveitado pelo organismo, ele percorre os quatro compartimentos em diferentes etapas da digestão. Cada estrutura possui características próprias e participa de uma parte desse processo, desde a fermentação realizada por microrganismos até a digestão química.

O rúmen é o maior dos compartilhamentos e funciona como uma espécie de câmara de fermentação. É nele que vivem as bactérias, fungos e protozoários, que atuam na degradação dos alimentos. Por meio desta atividade que o boi aproveita os componentes das plantas que não são digeridos pelo organismo humano, como a celulose e a hemicelulose. A ação desses microrganismos transforma essas fibras em compostos que podem ser aproveitados pelo animal.

Diretamente ligado ao processo de ruminação está o retículo, responsável por movimentos que ajudam a levar parte dos alimentos de volta à boca, permitindo que estes sejam novamente mastigados, antes de seguir pelo sistema digestivo.

Ainda durante a ruminação, na mastigação, o animal produz saliva rica em bicarbonato. Segundo Factori, a saliva é importante porque faz o tamponamento, o equilíbrio desse ácido no rúmen.

Em seguida, o alimento chega ao omaso, conhecido como folhoso. Esse compartimento possui várias lâminas internas, semelhantes às páginas de um caderno, e participa da absorção de água, minerais e ácidos graxos voláteis, além de contribuir para a redução das partículas alimentares.

Por último está o abomaso, considerado o estômago verdadeiro dos bovinos. É nele que ocorre a digestão química, com a produção de ácido clorídrico e enzimas digestivas, em um processo semelhante ao encontrado no estômago dos animais monogástricos.

Alimentação influencia o funcionamento

Apesar de serem adaptados ao consumo de alimentos fibrosos, o sistema digestivo dos bovinos pode ser prejudicado por uma dieta desequilibrada. O excesso de alimentos concentrados, como o milho, pode provocar uma fermentação rápida e aumentar a produção de ácidos no rúmen.

“Se o animal comer muito concentrado, ele vai ter um problema chamado acidose, por causa da produção de ácido no rúmen”, alerta o zootecnista.

Marco também destaca que o excesso de ureia pode levar a intoxicação, enquanto a fermentação rápida de determinados alimentos pode levar ao acúmulo de gases no rúmen, causando timpanismo ou empanzinamento. Em alguns casos, essas alterações podem comprometer a saúde do animal e levar à morte.

Por isso, o equilíbrio da alimentação é fundamental para manter o funcionamento dos quatro compartimentos e a atividade dos microrganismos responsáveis pela fermentação.

Todo esse sistema tem como função transformar os alimentos em componentes que possam ser absorvidos e utilizados pelo organismo para manutenção, crescimento, engorda, produção de leite e reprodução.

Júlia Fatinansi
Júlia Fatinansi
http://campoestesp.com.br

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