Em Adamantina, galhos recolhidos das podas pelas ruas e sobras de alimentos de escolas, creches, hospitais e restaurantes ganharam um destino que ajuda tanto a cidade quanto a roça. No pátio municipal de compostagem, todo esse material é reunido para virar adubo orgânico, que segue sem custo direto para a porteira dos sitiantes locais e também de cidades vizinhas como Lucélia, Mariápolis e Flórida Paulista.
O trabalho no barracão de oito mil metros quadrados leva cerca de dois meses entre a chegada do material, o manejo dos montes de compostagem e o ponto certo para uso na terra. A engenheira agrônoma e diretora de Agricultura do município, Débora Queiroz, explica que os galhos passam primeiro pelo triturador e ficam separados dos alimentos, permitindo a mistura nas medidas certas para a fermentação acontecer do jeito certo.
Segundo Débora, essa relação correta entre carbono e nitrogênio é o segredo para o adubo ter força e qualidade quando chega à propriedade. Ela conta que a prefeitura entrega cerca de sessenta caminhões do insumo todo mês, seguindo uma escala que hoje atende mais de duzentos produtores rurais cadastrados no projeto.
Alívio no bolso e recuperação da terra
Além de resolver uma dor de cabeça antiga com o descarte de galhadas pela cidade, a iniciativa dá um alívio importante nas contas do sítio. O composto natural entra no lugar de parte dos fertilizantes químicos do comércio, que andam com preços salgados, e ajuda a empurrar a produção de frutas e legumes para cima.
No Sítio Santo Antônio, na Estrada 14, o agricultor Antônio Manzano usa o composto há cerca de cinco anos nos pomares de goiaba, acerola e mamão, vendo o resultado direto no chão da roça.
“Esse adubo melhorou muito o solo que já estava cansado de tantos anos de plantio, fazendo a terra voltar ao que era no passado, por isso quando a gente usa um produto que dá certo faz questão de passar a dica para os outros produtores”, conta Manzano, lembrando que o composto pronto faz a resposta da planta ser bem mais rápida.
Ciclo sustentável na mesa da comunidade
O projeto fecha um ciclo redondo de sustentabilidade dentro do próprio município. Boa parte das frutas e verduras cultivadas com esse adubo volta para a cidade pelo Programa de Aquisição de Alimentos, gerando renda para quem mora no campo e abastecendo entidades assistenciais e a merenda escolar das crianças.
Das cozinhas dessas mesmas escolas, creches e repartições saem novamente as cascas e sobras de comida, que pegam o caminho do pátio para virar adubo outra vez e começar tudo de novo na lavoura.
Como participar?
Para se inscrever, os interessados devem comparecer à Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente, localizada na Rua Walter Meneguin, nº 100, Jardim Oriente, no Recinto Poliesportivo.