Em muitas casas do oeste paulista, o galinho do tempo ocupava um lugar de destaque em cima da geladeira ou na estante e ajudava a acompanhar as mudanças nas condições climáticas. A cor azul era associada ao tempo seco, enquanto a rosa indicava possibilidade de chuva.
A lavradora Dionísia Graton, por exemplo, lembra que costumava observar o enfeite na casa da mãe antes de começar as atividades do dia.
O jornalista Tiago Rodrigues também tem lembranças do objeto, que chegou a levar para o estúdio de televisão quando apresentava a previsão do tempo em um canal regional. A iniciativa despertou a curiosidade dos telespectadores e rendeu diversas mensagens, principalmente de pessoas mais velhas que reconheciam o enfeite.
Embora muitas pessoas associem o galinho a uma tradição popular, seu funcionamento tem uma explicação científica ligada à química. De acordo com o meteorologista Vagner Camarini, a pintura é revestida com cloreto de cobalto, uma substância que reage à umidade do ambiente e muda de coloração conforme absorve ou perde água.
“Quando o ar fica seco, a tinta perde água e puxa para o azul. Se o ar fica carregado de umidade, ela absorve essa água e fica rosa”, explica.
A mudança de cor, no entanto, não significa que vai chover, já que o galinho indica apenas as variações na umidade do ar, enquanto a ocorrência de precipitação depende de outros fatores atmosféricos, como a pressão e a temperatura. Mesmo com o avanço da tecnologia e o uso de satélites, estações meteorológicas e aplicativos para acompanhar a previsão do tempo, o galinho permanece na memória de tantas famílias.