
A rotina no campo envolve contato constante com pastagens, vegetação, criação e áreas próximas a rios e lagos. Esses ambientes podem favorecer a presença do carrapato-estrela, que, quando infectado, transmite a bactéria Rickettsia rickettsii, causadora da febre maculosa brasileira. Por isso, produtores e trabalhadores rurais precisam estar atentos durante as atividades na propriedade.
Segundo o médico infectologista Luis Euribel, a transmissão ocorre pela picada do parasita infectado. No meio rural, a exposição pode ser favorecida pelo trabalho em áreas de vegetação baixa, pastagens e locais próximos a cursos d’água.
O papel dos equinos
Entre os animais presentes nas propriedades, os equinos estão entre os principais hospedeiros do carrapato-estrela na fase adulta e de reprodução. De acordo com o médico veterinário Vamilton Santarém, a presença desses parasitas nos cavalos contribui para a manutenção do ciclo no ambiente.
Conhecido cientificamente como Amblyomma sculptum, o carrapato também permanece grande parte do tempo fora dos hospedeiros. Segundo Santarém, aproximadamente 95% deles estão no ambiente, principalmente nas pastagens, enquanto apenas 5% permanecem nos animais.
Esse cenário faz com que o cuidado com a propriedade seja parte da prevenção. A recomendação é manter aparadas as áreas de grama próximas às casas, estábulos e locais de maior circulação, além de verificar a presença de parasitas nos equinos e cães utilizados no trabalho.
Cuidados durante a jornada

Entre maio e novembro, o risco de exposição aumenta com a maior circulação das formas jovens do carrapato-estrela, conhecidas como micuins e ninfas. Como são menores e mais difíceis de identificar na pele ou na roupa, podem passar despercebidas.
Durante atividades como roçagem, manejo de pasto, pescaria e limpeza de áreas próximas a rios, Euribel recomenda o uso de calça comprida, camisa de manga longa, preferencialmente de cores claras, botas fechadas e meias sobre a barra da calça. A inspeção do corpo e das roupas deve ser feita, se possível, a cada duas horas.
Se houver um parasita preso à pele, a retirada deve ser feita com uma pinça, segurando-o rente à pele e puxando suavemente para cima. Não é recomendado queimá-lo ou aplicar álcool, óleo ou manteiga. Depois, o local deve ser lavado com água e sabão.
Os primeiros sintomas podem surgir entre dois e 14 dias após a exposição. Febre alta repentina, dor de cabeça intensa, dores no corpo e calafrios estão entre os sinais mais comuns. As manchas vermelhas podem aparecer entre três e cinco dias depois ou nem surgir.
Prevenção
A identificação rápida é fundamental porque a doença pode evoluir de forma grave. Quem esteve em área de risco e apresentar sintomas deve procurar atendimento médico e informar sobre a possível exposição. O tratamento adequado deve ser indicado por um profissional de saúde.
Para reduzir os riscos, além da proteção individual, produtores e trabalhadores devem conhecer as áreas de maior exposição e manter os cuidados com o ambiente e a criação de animais.